Para vivermos o Ano da Fé - Chama que não pode apagar em nós
Precisamos, sem dúvida alguma, estarmos atentos desde já, a fazer de nossa identidade católica uma certeza inabalável, amadurecer nosso amor pelo Cristo, e caminhar na estrada da conversão ao Senhor dia a dia, aprendendo com nossas limitações e sofrimentos, compreendendo o caráter pedagógico de muitos de nossos fracassos. Como nos levou a refletir o Círio deste ano, entrar na “escola de Maria”, aprender “seu jeito” de abandonar-se em Deus; em uma palavra: confiar; no amor que o Pai dedica a nós, silenciando quando nada podemos acrescentar ante o mistério que se descortina à nossa frente. Este “jeito de Maria” é para todos os católicos, o exemplo de um amor peregrino, que, encarnado, “desassossega” e leva ao encontro do outro, para ajudá-lo, acolhê-lo de forma gratuita, amá-lo no Cristo.
Em tempos de tantas sombras, ser missionários conscientes e perseverantes, creio que é ainda mais urgente, presente, atual. Penso que precisamos, com inteligência e oportunidade, usar dos meios que dispomos para, não somente guardar em nosso íntimo o mistério do amor que sentimos de Deus por nós, mas transmiti-lo ao mundo, com os instrumentos que nos são oportunizados, com o emprego dos dons que Deus nos concede; na comunicação, no diálogo com as pessoas, nas artes, nas redes sociais que nos permitem ocupar tantos espaços, real e virtualmente, para proclamar o anúncio da Boa Nova, abrindo as portas da fé a tantos que, pior que os descrentes de outrora, estão ainda indiferentes ao plano de Deus para a humanidade.
Creio que para isso, urge conjugar os momentos celebrativos, contemplativos, de estudo e principalmente, de oração, com o ardor missionário que precisa nos incomodar quando estivermos em casa, no trabalho, no lazer, na política, nos estudos; urge testemunharmos nossa fé com nossas vidas, sermos sal que dá gosto e luz viva, ardente, posta para iluminar os múltiplos ambientes em que vivemos, em uma clara expressão da alegria característica dos amados de Deus. Penso que precisamos ainda, viver mais a liturgia, a eucaristia, em nossas casas, junto às pessoas que nos são caras e mesmo junto aquelas que, mesmo por pequenos ou breves momentos, cruzam as nossas vidas.
Precisamos professar a oração do Credo, a fim de que nos reforce e grave em nosso coração, em nossa consciência, cada palavra de sua composição, da identidade que abraçamos desde o nosso batismo. Creio que necessitamos reacender a chama deste amor católico em nossas vidas, deixar arder nas nossas palavras e nas nossas atitudes a profissão de fé da Igreja. E assim, mesmo quando esbarrarmos em tantas das nossas limitações, no cansaço, na preguiça, na dúvida, na incredulidade ou mesmo na apatia quando o milagre que queríamos ver acontecer, mas não nos foi concedido, nada poderá nos fazer desistir ou esmorecer; posto que sabemos em quem acreditamos.
Neste Ano da Fé, proponho transformar nossas emoções e euforia em alegria permanente, dom espiritual, presente de Deus, constância de quem se sente amado por Jesus, remido pelo sangue do Cordeiro, embalado no colo santo da Virgem Mãe de Deus. Como tempo novo para a Igreja de Cristo, eis um convite para um renovar necessário da fé em nossas famílias, não nos esquecendo do passado; mas o incorporando ao presente, sempre novo, renovado pelo Cristo. Tradição que fortalece nossa história e o amor que nos trouxe até aqui.
Neste caminhar, resgatemos o amor e a beleza da vivência dos sacramentos, o sentido comunitário, missionário, evangelizador e unitivo, fecundo do matrimônio, da família, a acolhida dos bem aventurados de Deus, que tem sede e fome de justiça; que com mansidão e pureza podem ser acolhidos por Deus.
É mais um tempo da graça que nossa Igreja vive em todo o orbe católico, fazendo frente aos desertos da solidão, do desamor, do ódio, da indiferença, da mentira, da sexualidade desregrada, sem integridade, sem busca de comunhão. É uma nova oportunidade de voltarmos para Deus e O anunciá-lo, de buscarmos conversão, com a certeza em nossas palavras e a coerência em nossas ações. Como anunciadores da esperança, da certeza do bem que é Jesus, vivamos todos um abençoado ano da fé.
É mais um tempo da graça que nossa Igreja vive em todo o orbe católico, fazendo frente aos desertos da solidão, do desamor, do ódio, da indiferença, da mentira, da sexualidade desregrada, sem integridade, sem busca de comunhão. É uma nova oportunidade de voltarmos para Deus e O anunciá-lo, de buscarmos conversão, com a certeza em nossas palavras e a coerência em nossas ações. Como anunciadores da esperança, da certeza do bem que é Jesus, vivamos todos um abençoado ano da fé.
Texto publicado no jornal Voz de Nazaré.

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