A beleza de um serviço católico
Caríssimos, tenho utilizado este
espaço para algumas reflexões que considerei importantes ao longo dos últimos
meses.
Em tais oportunidades, procurei corresponder com o que acredito e com o
que aprendi; quer na vida da igreja, no matrimônio que abracei, na paternidade com
que fui agraciado, quer na vida em família, na academia ou na comunidade.
Contudo,
nesta semana, peço a compreensão de quem acompanha os artigos, para partilhar
algo que me fez refletir bastante na missão de ser “sal e luz” (Mt 5: 13-16),
junto à Rose, como casal católico, no exercício de nossa missão no Encontro de
Casais com Cristo, serviço-escola que para nós tem sido um canal de graças há
quase 18 anos, nos conduzindo ao conhecimento melhor de nossa Igreja e ao
aprofundamento e amadurecimento de nossa fé.
Ao longo desta caminhada, creio que,
aos poucos, temos adentrado em “águas mais profundas” (Lc 5) e procurado aproveitar
os momentos que Deus tem nos oportunizado para vivenciar uma fé mais madura; o que
nos exige, por isso, posturas mais coerentes com a Verdade que é Jesus; um amor
de raiz, anúncio e denúncia, luzes que tem nos apontado ser necessário continuar
testemunhando o amor de Deus pelos homens, mesmo diante das incompreensões
humanas, das nossas limitações, mesmo diante de nossa contingência, na certeza
que realmente não podemos tolerar o mal; nem, como diz São Paulo, nos “conformar
com este mundo”, com suas mentiras, esquemas e oposições à Verdade, com sua
“cultura de morte”; mas “nos transformar pela renovação do entendimento” (Rm
12:2).
Penso que nossa fé não pode ser feita apenas de emoções; mas do
exercício de nossa inteligência, dom de Deus, da razão enriquecida pelo
abandono no mistério que não podemos compreender, mas que cremos, sem dúvidas
ou condições, na esperança, certeza do bem; por meio da fé que brota do
cotidiano, da experiência diária do encontro com o Cristo, por meio das pessoas
e dos acontecimentos.
Neste pensamento, lembro o tanto
que temos aprendido e com tantas pessoas, desde as mais simples, afinal, todo o
bem vem de Deus e em todas as oportunidades, sempre podemos colher
aprendizados. Em razão disto, desta certeza e esperança, participamos, juntos
com outros casais de nossa arquidiocese, do XX Congresso Nacional do ECC,
realizado em Presidente Prudente, São
Paulo; quando mais de 1.300 pessoas estiveram reunidas para celebrar e aprender;
onde casais de todas as regiões do país, Bispos, Sacerdotes, seminaristas e
religiosas foram trocar experiências e aprofundar os estudos acerca do ECC, testemunhando
a importância desta atividade para a formação de casais que se comprometem com a
evangelização das famílias brasileiras, engajando-se na realidade pastoral das
mais distantes localidades, lá onde está o povo de Deus.
Como experiência genuinamente nacional,
que há 42 anos é realidade, o ECC já oportunizou a experiência do encontro com
o Cristo para quase dois milhões de casais que vivenciaram a beleza do evento
criado pelo Padre Alfonso Pastore, em abril de 1970, na paróquia de N. Sa do
Rosário, em Vila Pompéia, São Paulo. Desde então, o serviço tem crescido em
números e graças e se estendido para todo o país, despertando o interesse até no
exterior; tendo sido, inclusive, apresentado ao Santo Padre Bento XVI, como
experiência importante no campo da evangelização às famílias.
Nestas quase duas décadas, desde
que participamos do nosso ECC, temos vivido muitas graças e testemunhado o
quanto, muitos casais tem enriquecido sua vida conjugal, familiar e comunitária
após terem sido despertados, a partir do tríduo inicial do Encontro, para uma
caminhada cristã em sua comunidade paroquial, vivendo uma fé eucarística e
sensibilizando-se pela dor dos irmãos e irmãs, investindo suas vidas no anúncio
do Evangelho e no trabalho pelo respeito à
dignidade da pessoa humana e pela justiça social.
No congresso deste ano, além dos
casais, nos chamou a atenção o quanto tantos Bispos e Sacerdotes testemunharam
a importância do ECC em suas atividades, destacando o quanto tem sido importante
a formação e a evangelização promovida por meio do ECC, resultando no aumento
substancial de agentes de pastoral, principalmente da pastoral familiar, e de
tantas outras pastorais, movimentos e serviços na Igreja; sonho que o Padre
Pastore, com a inspiração do Espírito Santo, traduziu em orientações,
metodologia e espiritualidade, base efetiva do ECC, que embora com as
limitações humanas, tem recebido as bênçãos do céu para sua continuidade e aprofundamento
em quase meio século de história.
De tudo o que vivenciamos no
congresso, que estudamos e celebramos, nos ficou a certeza que o serviço-escola
ECC precisa atingir todos os casais; que verdadeiramente é, como denominou
Monsenhor José Antonio Lima, o “milagre da família católica” e que para isso, precisamos
trabalhar ainda mais para este sonho tornar-se realidade, no tempo de Deus; na
simplicidade, na alegria, na doação, na pobreza e na oração, pontos que
alinhavam este trabalho, que exige ainda, um renovado desejo pelo céu, uma sede
de santidade, que nas palavras do Beato João Paulo II, se dá e se constrói “na
existência quotidiana, no quotidiano da vida. A santidade não consiste
certamente em fazer coisas extraordinárias, mas em fazer de maneira
extraordinária as coisas de todos os dias”.
Obs.: Texto publicado no jornal "Voz de Nazaré" - edição de 26 de julho 2012
