sexta-feira, 23 de novembro de 2012


Por um proveitoso tempo de espera 

Tenho acompanhado o frisson das lojas em nossa cidade, já em plena arrumação natalina, com muitas luzes e um colorido que traduz o período das festas de fim de ano que se aproximam. Belém é interessante; termina o período do Círio, eis que as decorações das lojas só fazem trocar as cores ou os textos para o conhecido “Feliz Natal” ou “Boas Festas”, cambiando as imagens da festa de outubro pelos diversos símbolos natalinos, como as figuras do trenó com as renas e presentes, do “bom velhinho”, dos pinheiros (em pleno calor de 38 graus), da “neve” caindo no “quente e úmido” de nosso clima, das casinhas no estilo europeu, com chaminés e até bonecos de neve; tudo isto, paralelo aos muitos convites e peças publicitárias que visam despertar os clientes para antecipar as compras e até para adiantar o gasto do décimo terceiro salário com as promoções e sorteios que invadem o cotidiano dos “shoppings” e do comércio local em apelos; muitos deles, repetitivos, agressivos e barulhentos.


Interessante é que o “vai e vem” das pessoas também entra neste “clima” de consumo e de muita pressa, estresse; e, às vezes, muita falta de educação e respeito para com o outro, parece um desespero pela melhor oferta e para comprar mais e mais, como se isso significasse o sucesso pessoal. Pena que parece ser mais um natal das compras e da opulência que se encaminha para ocultar o presépio e a pobreza da noite do nascimento do Salvador, da simplicidade daquele lugar onde a estrela brilhou, mostrando onde a sagrada família estava naquela noite maravilhosa. Ainda bem que, contrários à febre de consumo, há também exemplos de solidariedade com os que sofrem e junto aos que não tem sequer o que comer. Graças Deus ainda não sucumbimos, pelo menos não todos, à lógica do consumo e ainda há o atendimento relevante ao apelo da Igreja de Belém, chamado que continua forte para que participemos todos, mais uma vez, do projeto missionário em favor do que precisam de amor e do olhar solidário e fraterno. 


Em mais um natal que se aproxima, quando na proporção das “ofertas” e do volume de dinheiro circulante, cresce a esperteza dos larápios, a audácia dos criminosos, ávidos por dinheiro, sacolas e bolsas daqueles que escolheram como vítimas de sua ganância e da violência que optaram como “modo de vida”, se renova também a oportunidade de nos prepararmos para viver, santamente, este período de espera, de advento e de liturgia do nascimento de Jesus. Oportunidade de escolhermos o caminho e o jeito de caminhar; se vamos rumo à gruta de Belém, ou aos centros de compras, nos enchendo com as coisas que alimentam nossa vaidade; se vamos nos inflando de soberba às lojas ou no desapego às coisas materiais e no esvaziamento de nós mesmos para o encontro com a família de Jesus. Viveremos assim, na escolha entre a simplicidade e a alegria de nos sentirmos amados por Deus ou na prisão das preocupações materialistas e no cultivo dos ressentimentos. Penso que é tempo de nos prepararmos bem, de experimentarmos a liberdade do amor gratuito, de construirmos momentos de paz e de boa convivência junto às pessoas que convivemos. Creio que é preciso desacelerar a rotina dinâmica para um tempo melhor com os que amamos, dando espaço de escuta ativa, dialogando mais e melhor e até fazer um “cardápio” mais atrativo e bem humorado de nossos temas de conversas.


Precisamos melhorar a oração em quantidade e em qualidade, buscando a intimidade com Deus por meio de nossas palavras e de nossa adoração e contemplação. Precisamos dedicar mais do nosso tempo àquilo que nos é essencial; nossa conversa diária com Ele, nosso “olho no olho” das pessoas a quem queremos bem, nossas atitudes em prol de quem precisa, nosso momento de escuta íntima conosco. Penso que nossa agenda para estes dias precisa incluir este planejamento.


Mesmo ante o abarrotado calendário das “confraternizações” que se avizinham ou dos chamados para as compras (para se endividar até o próximo Natal); penso que, na contramão de todo este turbilhão que descristianiza a pobreza necessária de quem se abandona em Deus, precisamos urgentemente viver a espera de um tempo de graça, de paz e de harmonia, encontrar a presença de Deus nas pequenas coisas e nos mais simples gestos de ternura e de caridade; hora de decorar o nosso coração desde já, como manjedoura aconchegante para Jesus que nos vem.             
     


Texto publicado no Jornal "Voz de Nazaré" - edição de 22 de novembro de 2012

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Salve, salve Novembro


Outubro foi um mês de muitas atividades em nosso setor C - Região Episcopal Santa Cruz. Conseguimos realizar as reuniões de avaliação dos encontros realizados, de preparação para os encontros que acontecerão, as reuniões de estrutura, além das atividades extras que surgiram por conta das ações ligadas às comemorações do Círio de Nazaré em nossa capital e com destaque, agradecemos a Deus pelo 1º Encontro de Casais com Cristo realizado na Paróquia São Sebastião, no bairro da Sacramenta, aumentando para 8 as paróquias do nosso setor com ECC implantado.


Novembro nos chega também com agenda cheia; com os Encontros, da Paróquia São Jorge, no bairro da Marambaia, de número 25 e o Encontro de segunda etapa do nosso setor, que será realizado na Paróquia N. Sa do Perpétuo Socorro, e ainda as reuniões de avaliação e de estrutura previstas para este penúltimo mês do ano. 

Estamos já com os nomes de diversos casais que comporão as equipes dirigentes 2013 e também já com o planejamento das atividades de fim de ano, como a Espiritualidade e a Confraternização do setor.

Seja bem vindo, Novembro, que os ares do advento nos dê sabedoria, paciência, resignação, humildade, esperança e fé.
  
  
Lágrimas... Elas são compostas de água, sais minerais, proteína e gordura; dentre suas funções estão: desentupir as glândulas lacrimais, irrigar o contato da íris com a pálpebra, lubrificar os canais lacrimais. Caso se prove, seu sabor é salgadinho. Assim são as lágrimas em suas características químicas, importante forma que nosso corpo possui para manifestar muitas das nossas emoções e até, em alguns casos, para deixar nosso rosto mais bonito, com um certo brilho de humildade, perdão, caridade, alegria, nostalgia, saudade e até mesmo, de paz. 

Um dos mais conceituados poetas, músico e cantor cearense, Fagner, canta em uma de suas belas composições que “o homem também chora, também deseja colo, palavras amenas, precisa de carinho, de ternura, de um abraço”. Chorar é próprio e exclusivo da criatura humana, chorar é fruto de dor espiritual, de sofrimento; mas pode ser resultado ou efeito de alegria, de felicidade. Dizem até que há “lágrimas de crocodilo”, falsidade disfarçada de sensibilidade. Chorar é o nosso “estamos aí” no mundo, assim “provamos” que nascemos com pulmões sadios; talvez por isso, o choro nos é tão familiar, íntimo, maternal. 


Choramos por diversas razões e de diversas formas; algumas espalhafatosas ou eufóricas; outras, retiradas, silenciosas, em quase imperceptível manifestação. Choramos às vezes, “pra dentro”, acompanhados de soluços ou apenas do nosso respirar mais forte. Chorar, às vezes, tem motivo; outras vezes não; não importa, o que vale mesmo é que o choro nos conforta e muito nos alivia, é o que desata o nó da angústia e nos humaniza. 


Ao ver as imagens do Círio 2012, fiquei inquieto com minhas lágrimas, procurando entender porque choramos quando algo acaba, quando aquilo que tanto amamos finda, mesmo que temporariamente, e perguntei o porquê de chorarmos quando nos aperta no peito a saudade. Lembrei-me, quando garoto, me despedia, ao final do mês de julho, da minha querida ilha do Mosqueiro, após algumas semanas das férias escolares. Era então que meu peito apertava e eu voltava para Belém silenciosamente, olhando a chuva molhar os vidros do carro, como a chorar comigo também, em um "até logo" que se repetiu por toda a minha infância. 


Terminado mais um período do Círio, o maior de todas as suas 220 edições, tive a mesma sensação de saudade, ao ver as imagens do povo nas ruas, das pessoas em prantos de alegria ou de súplica, olhando a pequenina imagem de Maria a “navegar” nos braços do povo que se uniu em mais um período de fé mariana nas romarias que somaram quase 5 milhões de pessoas; a pedir, agradecer ou simplesmente, contemplar aquela que, com o Jesus menino no colo, diz novamente para toda a humanidade: _ Fazei tudo o que Ele vos disser! 


Quando o Arcebispo de Belém dizia aos profissionais da imprensa para não segurarem as lágrimas, falava da humanidade de cada um e de cada uma, que na cobertura do Círio, também estiveram como devotos, à sua maneira, lembrei que todos nós também somos assim; aprendemos a conter nossas emoções e a disfarçar nossa humanidade com os rótulos de profissionais isentos de emoção; mas a Mãe de Deus nos traz mais esta orientação, expressa na voz de Dom Alberto, na manhã após o Recírio, que em outras palavras nos falou carinhosamente para sermos como 
crianças na manifestação do amor por meio de nossas lágrimas. 


Chorar nos faz muito bem e estas lágrimas de amor e de saudade de mais um Círio que termina são também lágrimas de esperança pelo Círio que vem e por tantos Círios que queremos viver neste caminhar juntinho ao colo da Mãe, até nosso encontro definitivo com seu Filho. Não sei se há como racionalizar o que sentimos, presumo que isto nos é impossível; só tenho a certeza de que é muito bom ser paraense, da gema ou do coração; é muito bom ser católico, é muito bom sentir-se amado por nossa Mãe Maria. Bendita a lágrima que escorre suavemente de nossos olhos, no pranto de amor e de pedido, repetido tantas vezes no refrão melodioso: Dá-nos a benção, Senhora de Nazaré!

Texto publicado no jornal Voz de Nazaré - edição de 1/11/2012

Para vivermos o Ano da Fé - Chama que não pode apagar em nós 


Aprofundar nossa fé, buscar conhecer mais de nossa Igreja, vivenciar intensamente cada momento da liturgia que celebramos, refletir vivamente o conteúdo do catecismo em nossas famílias e comunidades e os textos do Concílio Vaticano II; propostas importantes e oportunas, feitas pelo Papa Bento XVI neste início do Ano da Fé, proclamado pelo Santo Padre neste outubro, que para nós, paraenses “da gema’ ou “de coração”, se inaugura unidos aos milhões que vivenciam o período de amor mariano na festa de Nazaré. 

Precisamos, sem dúvida alguma, estarmos atentos desde já, a fazer de nossa identidade católica uma certeza inabalável, amadurecer nosso amor pelo Cristo, e caminhar na estrada da conversão ao Senhor dia a dia, aprendendo com nossas limitações e sofrimentos, compreendendo o caráter pedagógico de muitos de nossos fracassos. Como nos levou a refletir o Círio deste ano, entrar na “escola de Maria”, aprender “seu jeito” de abandonar-se em Deus; em uma palavra: confiar; no amor que o Pai dedica a nós, silenciando quando nada podemos acrescentar ante o mistério que se descortina à nossa frente. Este “jeito de Maria” é para todos os católicos, o exemplo de um amor peregrino, que, encarnado, “desassossega” e leva ao encontro do outro, para ajudá-lo, acolhê-lo de forma gratuita, amá-lo no Cristo. 

Em tempos de tantas sombras, ser missionários conscientes e perseverantes, creio que é ainda mais urgente, presente, atual. Penso que precisamos, com inteligência e oportunidade, usar dos meios que dispomos para, não somente guardar em nosso íntimo o mistério do amor que sentimos de Deus por nós, mas transmiti-lo ao mundo, com os instrumentos que nos são oportunizados, com o emprego dos dons que Deus nos concede; na comunicação, no diálogo com as pessoas, nas artes, nas redes sociais que nos permitem ocupar tantos espaços, real e virtualmente, para proclamar o anúncio da Boa Nova, abrindo as portas da fé a tantos que, pior que os descrentes de outrora, estão ainda indiferentes ao plano de Deus para a humanidade. 

Creio que para isso, urge conjugar os momentos celebrativos, contemplativos, de estudo e principalmente, de oração, com o ardor missionário que precisa nos incomodar quando estivermos em casa, no trabalho, no lazer, na política, nos estudos; urge testemunharmos nossa fé com nossas vidas, sermos sal que dá gosto e luz viva, ardente, posta para iluminar os múltiplos ambientes em que vivemos, em uma clara expressão da alegria característica dos amados de Deus.
Penso que precisamos ainda, viver mais a liturgia, a eucaristia, em nossas casas, junto às pessoas que nos são caras e mesmo junto aquelas que, mesmo por pequenos ou breves momentos, cruzam as nossas vidas. 

Precisamos professar a oração do Credo, a fim de que nos reforce e grave em nosso coração, em nossa consciência, cada palavra de sua composição, da identidade que abraçamos desde o nosso batismo. Creio que necessitamos reacender a chama deste amor católico em nossas vidas, deixar arder nas nossas palavras e nas nossas atitudes a profissão de fé da Igreja. E assim, mesmo quando esbarrarmos em tantas das nossas limitações, no cansaço, na preguiça, na dúvida, na incredulidade ou mesmo na apatia quando o milagre que queríamos ver acontecer, mas não nos foi concedido, nada poderá nos fazer desistir ou esmorecer; posto que sabemos em quem acreditamos. 


Neste Ano da Fé, proponho transformar nossas emoções e euforia em alegria permanente, dom espiritual, presente de Deus, constância de quem se sente amado por Jesus, remido pelo sangue do Cordeiro, embalado no colo santo da Virgem Mãe de Deus. Como tempo novo para a Igreja de Cristo, eis um convite para um renovar necessário da fé em nossas famílias, não nos esquecendo do passado; mas o incorporando ao presente, sempre novo, renovado pelo Cristo. Tradição que fortalece nossa história e o amor que nos trouxe até aqui. 

Neste caminhar, resgatemos o amor e a beleza da vivência dos sacramentos, o sentido comunitário, missionário, evangelizador e unitivo, fecundo do matrimônio, da família, a acolhida dos bem aventurados de Deus, que tem sede e fome de justiça; que com mansidão e pureza podem ser acolhidos por Deus. 

É mais um tempo da graça que nossa Igreja vive em todo o orbe católico, fazendo frente aos desertos da solidão, do desamor, do ódio, da indiferença, da mentira, da sexualidade desregrada, sem integridade, sem busca de comunhão. É uma nova oportunidade de voltarmos para Deus e O anunciá-lo, de buscarmos conversão, com a certeza em nossas palavras e a coerência em nossas ações. Como anunciadores da esperança, da certeza do bem que é Jesus, vivamos todos um abençoado ano da fé.

Texto publicado no jornal Voz de Nazaré.