sexta-feira, 10 de agosto de 2012


Por uma experiência de amor

A paternidade é dom implícito em todo homem; é chamado de Deus que, como Pai, nos concede, dentre muitos atributos, dois que considero importantes meios para realizar esta missão: a força física e a capacidade de proteção. Ser pai é a realização do plano de Deus para o homem; quer o faça na realidade do matrimônio; na procriação, acolhimento e cuidado com a prole, com a família; quer na realidade como consagrado a Deus, por meio da missão sacerdotal, quando tem nos filhos de Deus a ele confiados, a realização de sua ação paterna, como pai espiritual de tantas pessoas que tem, em seu padre, a confiança de sua fé e até mesmo da escuta e da orientação dos problemas cotidianos, quando buscam uma luz para os dilemas que enfrentam, dentro do que Deus espera de cada um, na serenidade, na temperança, na fortaleza, no discernimento, na coerência com o ser católico. Muito mais que sabermos quem somos, precisamos lembrar, todo o tempo, a quem pertencemos. 

Minha experiência como pai, realidade que vivo há 15 anos, quando do nascimento de minha  filha e que tento aprender todos os dias, mesmo com meus erros; na verdade, creio que teve seus traços iniciais há muito mais tempo, quando fui apenas filho, quando convivi com as questões das mais diversas junto aos meus pais e irmãos; na busca de soluções para os problemas diários, na obediência à autoridade familiar que às vezes, resisti, mas em geral, decidi acatar e hoje entendo como isto foi importante para evitar tantos problemas e os vícios que consegui não envolver-me. Como filho, aprendi que Deus é Pai, é família; por isso, orienta a cada um de nós e oferta sempre o caminho do bem. Educa-nos na liberdade do amor, todos os dias, na fidelidade de sua presença, consolidando os laços que nos unem a Ele.

Hoje, percebo o quanto foi importante esta experiência, principalmente em minha primeira década de vida, quando os traços da personalidade que me norteiam adquiriram suas linhas balisadoras. Aprendi, em família, o valor da autoridade paterna, a importância do lar, o discernimento para o “sim” e o “não”, a importância da renúncia em razão de quem se ama; a busca da harmonia na vida conjugal, da orientação conjunta para os filhos, da repressão segura aos erros, da motivação, do desafio, da força que abriga e da proteção que faz perseverar quando se tem certeza do rumo certo.

Força e capacidade de proteção. Dons que se expressam no cotidiano de todos nós, homens, como faróis a nos iluminar e a guiar aos que nos foram entregues; no pastoreio da missão paterna e que; ao contrário de ser fechamento, é abertura; para expressar, em meio às nossas fragilidades e limitações, que a verdadeira fonte da força e da segurança é Deus.
Força que se exprime, em nossa contingência, na sensibilidade da escuta e na disponibilidade de servir e de utilizar as ferramentas do raciocínio, da inteligência e dos músculos para ser providente, para garantir a segurança e as condições de pleno desenvolvimento ao rebanho familiar, comunitário.

Capacidade de proteção que se revela no sacrifício, às vezes, até da própria vida, para que jamais a esperança corra o risco de se perder, para que a fé jamais esmoreça, para que a meta não corra o risco de ser embaçada, não pelo medo; mas pela covardia de não buscar, muitas vezes pela luta constante, sempre e mais uma vez, até conseguir a própria superação, no abandono da fé e na certeza do bem.

Por isso, quando vejo que o ser masculino, na cultura que hoje nos é ofertada, é reduzido apenas à genitalidade, como um animal, sem inteligência ou vontade, penso que precisamos, cada vez mais, dizer “sim” à paternidade e valorizar o homem, o pai. Reitero: não somos gênero masculino, somos homens; como não há gênero feminino, mas mulheres. Assim é o plano de Deus para a humanidade, assim Ele nos criou, com igual dignidade, como homens e mulheres, como dons, um para o outro. Não somos comportamento, não há opção ou diversidade sexual, mas identidade e diferença, resposta ao chamado do Senhor. Temos ontologia, somos imagem de Deus, expressão do amor em nossos corpos, em nosso ser.

Neste “dia dos pais”, agradeçamos a Deus pelo Pai que Ele é, pela misericórdia com que nos Ele acolhe. Agradeçamos pelo pai terreno que temos, que tivemos, que recebemos como um presente terno do Senhor, pelos pais de tantos santos e santas, que com seus testemunhos de vida, auxiliaram no “sim” de homens e mulheres ao Senhor. Agradeçamos, mesmo por aqueles pais que não soubemos amar enquanto estiveram conosco; pelos que, erradamente, viraram às costas a esta realidade ou para os que, somente de forma tardia, resolveram reconciliar-se com o chamado de Deus para suas vidas.

Peçamos a Deus por aqueles que ainda não entenderam sua missão na paternidade, para que voltem seu olhar para assumir sua vocação. Peçamos a Deus pelos pais que somos, pelos pais de hoje, pelos pais que queremos ser, pelos jovens pais que ainda, levados pela cultura do mundo, ainda não entenderam o sentido de sua missão como homens. Peçamos perdão pelos que negaram, até com violência e covardia, os filhos que Deus os deu como presentes de seu amor e por fim, peçamos a Deus perdão por não sermos melhores pais, mais conscientes, mais esperançosos, mais pacientes, mais amorosos. Peçamos a Deus pelo dom da vida de nossos pais espirituais; pelos sacerdotes, que vivem o dom da paternidade em nossa filiação, como pastores do redil do Senhor. Peçamos por fim, que saibamos, todos os homens, assumir com coragem, aquilo que o plano de Deus, sonhou para nós. Amém! Feliz Dia dos Pais! 

Leno e Rose.
Artigo publicado no jornal Voz de Nazaré em 09 de agosto de 2012         

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