sexta-feira, 24 de agosto de 2012


Decidir-se pelo bem

Esta semana, conversava com um amigo acerca da  dificuldade para educar os filhos atualmente, com o tempo que temos com eles versus a  diversidade e quantidade de informações que recebem todos os dias, por meio da tv ou pela web, nos portais e redes sociais que abarcam um número expressivo de pessoas, de várias idades e das mais variadas culturas, intenções e valores.

Lembrava que, no mundo virtual, há um grande leque de possibilidades comunicacionais, motivando pessoas a buscarem mais e mais informações, imagens e animações; enfim, um sem número de estímulos visuais que povoam o imaginário de qualquer um e que interferem na forma de pensar e de se comportar, gerando até mesmo possibilidade de fuga da realidade e mascaramento de situações como o sofrimento, as frustrações ou a dor; elementos importantes no processo de amadurecimento de qualquer pessoa humana, mas que são evitados por muitos, a todo custo, gerando problemas de diversas ordens; quer nos relacionamentos do indivíduo consigo, com Deus ou com o outro.      

Refleti o quanto somos desafiados, como pais, diante das ideologias, das mentiras e contra-valores que são ofertados, frequentemente, aos nossos jovens. Por outro lado, destaquei o quanto a educação de valores, o testemunho e a religião podem contribuir para que eles tenham condições mínimas de assumir posturas coerentes e refletirem, de forma equilibrada, antes da tomada de decisões perante a realidade, diante dos convites, até de conhecidos, para agirem ou deixarem de fazer algo, em situações das mais variadas, que podem colocá-los em risco.

Diante destas questões, externei que nosso compromisso com os pequenos, além de testemunhar o valor do caminho do bem também é de ajudá-los para que tomem decisões  coerentes com aquilo que crêem e com os valores que foram trabalhados em família.

Neste rumo, creio que tomar decisões, ao contrário do que alguns pensam, não é fruto de intuição ou emoção, mas do uso adequado da inteligência que possuímos todos, do treino contínuo da análise, que contabiliza: a capacidade de compreender a realidade, de avaliá-la, mensurar possíveis conseqüências e assim fazer a escolha mais acertada; tomando uma decisão por vez; por exemplo, pois em muitos casos, um problema é o somatório de pequenas questões. Ao decidir-se individualmente, aumentamos a capacidade de acerto, uma vez que a resposta é mais rápida e visível.

Ser transparente, sincero consigo e com os outros; objetivo, direto é também importante para manter a decisão. Muitos casos de envolvimento com álcool e com drogas, por exemplo, nasceram da pouca objetividade e da indecisão na hora de dizer “não”, além da necessidade do afastamento, de forma clara, da pessoa ou situação que possa oferecer ou representar riscos.

Outra atitude importante é a coleta de informações prévias para só depois decidir. Tranquilidade, equilíbrio e informação confiável dão maior segurança e a certeza necessária para não voltar atrás. Para isso, podemos cultivar com os pequenos: a beleza do conhecimento construído junto à família, a partilha de informações, a valorização das inquietações e “porquês” que muitos pais, inadvertidamente, reprimem; às vezes, até por vergonha de não saber.   

É preciso também “economizar palavras”, evitando as que são desnecessárias e que podem dar margem a novos questionamentos e a semeadura de dúvidas. Como nos ensina o evangelho de Mateus (5:37), dizer apenas “sim” ou “não”, nada mais.

Por fim, creio ser necessário, de certa forma, “marcar” nossas decisões, dar a elas um “selo”, um registro, o peso de uma decisão expressa, manifesta, refletida, segura.

Tomar decisões, penso que é ter a capacidade de avaliar com clareza a realidade, suas possibilidades e conseqüências e assim, escolher o que melhor corresponde com nossa identidade como pessoa humana e como católicos. Este é um legado importante para ajudar nossos filhos a enfrentarem o desafio de viver em um mundo com muitas sombras, mas que ainda há luz para os que a procuram. Ajudando-os a amadurecer também é expressão de cuidado e de esperança em quem amamos.  

Texto publicado no jornal Voz de Nazaré de 23.08.2012.

Nenhum comentário:

Postar um comentário