sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Por uma programação aberta à vida e à verdade
Enquanto escrevo este artigo, assisto a programação da tv aberta; e, chego à triste conclusão da baixa qualidade de boa parte dos programas ofertados pelas emissoras em termos de humanidade, de assuntos que possibilitem ou provoquem um bom diálogo familiar, que ajudem as famílias a um sadio momento de interação ou que falem e mostrem aos jovens uma perspectiva de futuro com respeito à dignidade da pessoa humana, valorizando o homem e a mulher pelo que são: filhos amados de Deus, chamados sempre a optar pela vida.

Em poucos minutos, quase que a totalidade da programação apresentou: apelo sexual, estímulo ao consumismo, ao uso de drogas consideradas lícitas; com destaque para ao álcool, rebeldia infanto-juvenil, estímulo ao adultério, promoção do comportamento homossexual e violência. E é neste ambiente que, por vezes, deixamos nossos filhos aprenderem sobre a vida.

A dinâmica social nos coloca, enquanto pais e mães, muitas vezes em "xeque". Somos questionados e cobrados o tempo todo por aqueles a quem temos a missão de educar, perante as ideologias que colocam o homem e a mulher, imagem e semelhança de Deus, como inferiores em relação aos animais, ao "ecologismo", à tolerância com o mal. Porém, mais do que palavras e discursos, penso que temos de dar exemplos de atitudes que, efetivamente, sejam coerentes com a decisão pelo bem, comportamentos que deixem marcas na personalidade dos pequenos; um tesouro familiar composto de amor, temor a Deus, esperança, verdade, fé e humanismo cristão.

A herança das transformações ocorridas nos últimos 40 anos do século XX abalou o antes inquestionável "poder familiar" de educar e de ser referência para o comportamento da prole. E ao longo das últimas décadas, temos pago um preço muito alto por nos afastar, muitas vezes em nome do trabalho, do comodismo e mesmo de melhores ganhos financeiros, do desenvolvimento de nossos filhos; delegando à escola, à TV, a terceiros e, hoje, à web, algo que é inerente à família: sua missão como educadora na fé e na formação do caráter de cada jovem; tão vulnerável ao imenso ataque da "cultura de morte", expressa em muito nos meios de comunicação sem compromisso com a verdade. Em resumo, penso que temos negligenciado e assim, perdido terreno para aquilo que não é de Deus.

Assim como não dependemos da autorização dos nossos filhos para lhes dar a comida necessária ao sustento do corpo quando ainda são pequenos, também não podemos depender de sua voluntária adesão para lhes dar o alimento do espírito; os valores que, como pais e mães, temos a responsabilidade de cultivar no seio familiar. Amor, verdade, fé, humanidade, caridade, respeito ao outro, são exemplos de decisões que ,como homens e mulheres, filhos de Deus, precisamos ter como premissas em nossas ações cotidianas. Valores são "investimentos afetivos", como ensina o psicólogo suíço Jean Piaget (1896-1980); contudo, mais que emoções, se constituem no nosso legado como pais, no amor que decidimos por aqueles que sabemos cidadãos do céu.

Quiçá não fiquemos desatentos; mas "orantes e vigilantes" (Mc 14,38) por nós e pelos que amamos; para que, firmes no objetivo que nos levará ao amor do Pai, tenhamos em Jesus a referência para que não nos desviemos do caminho da salvação e, para isto, contemos com a colaboração das emissoras católicas; que, diferentes do "lugar comum" e até leviano de algumas, nos oportunizam conhecer mais e melhor do projeto de Deus para todos nós.

Leno Carmo
obs.:Texto publicado no jornal "Voz de Nazaré" de 26 de janeiro 2011.

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