Para uma nova civilização do amor

“Se permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos, conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8, 31). Assim Jesus nos convida a viver o período de celebração do mistério pascal em nossas famílias, onde somos anunciadores desta Verdade, luz que nos permite compreender o real sentido de nossa existência, de nossa realidade como pais, testemunhas do amor renovado dia a dia no sacramento do matrimônio que abraçamos, na certeza do céu, por meio do compromisso de serviço que assumimos no altar, quando nos comprometemos a ser fiéis construtores da civilização do amor cuja pedra angular é o próprio Cristo (Ef 2, 20-21).
N’Ele encontramos nossa verdade como pessoa humana, como homens e mulheres, imagem de Deus; d’Ele recebemos o amor pleno, a oblação total que vence a morte e o pecado de forma definitiva; n’Ele nos unimos na aliança eterna que abre o caminho e se faz, Ele mesmo, o caminho para o Pai; por Ele nossas famílias encontram a Paz, mesmo no cotidiano das dores, das angústias, do sofrimento. Porque Ele é nossa alegria, nossa esperança, nossa fortaleza.
É Ele que nos revela a realidade que assumimos como casal e como família, formada a partir do amor que une homem e mulher e que em nome deste bem, se abrem ao dom da fecundidade biológica e espiritual, canal de graças que se afirma no compromisso em defender a vida, desde sua concepção até seu fim natural; com dignidade e acolhimento. Homem e mulher que ratificam, dia a dia, sua fidelidade um ao outro, que tem no diálogo a ponte que os permite o entendimento, a compreensão dos limites de cada um, a escuta ativa dos problemas, dos dissabores e de suas realizações, que buscam o entendimento, alicerce da construção dos projetos que os motiva a oração conjugal, familiar, comunitária; claramente mostrada como centro da fé eucarística; bem como a educação dos filhos na fé.
Novamente Páscoa em nossas vidas, há um novo; mas permanente chamado à ressurreição em nossos lares, quando somos convidados a sair do sepulcro do egoísmo, motivados a remover a pedra do desamor, da indiferença; quando somos chamados ao calor do fogo novo, que nos queima na purificação de nossas relações interpessoais e nos leva a olhar nos olhos de nosso cônjuge, de nossos filhos para pedir e dar o perdão, para dizer o quanto os amamos, o quanto os queremos bem; quando somos motivados a decisão de amar, ao acolhimento do outro, à restauração de nossa vida conjugal e familiar, muitas vezes arriscada de ser destruída pelos vícios, pela escravização de todo pecado que impede a liberdade ( Jo 8, 34).
Na “noite de alegria verdadeira”, na noite da vitória do perdão, na “noite das noites”, na noite pascal do Ressuscitado, na noite da família humana, unida em um só coração, unida ao Cristo de Deus, que “une de novo o céu e a terra inteira”, “marcando com seu divino sangue nossas portas, nossas almas” nossas vidas e nossa história, temos a oprtunidade de vivenciarmos a páscoa que nos sara de toda chaga que oprime, de toda enfermidade, de toda prisão que corrompe nossa capacidade de amar; temos a graça de percebermos que a páscoa que é fundamentalmente Paz, presença, sentido de nossa vida. Vivamos pois, na certeza da Verdade, na esperança da vida plena, quando Deus limpará de nossos olhos “toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor”; porque já as primeiras coisas serão passadas (Ap 21, 4). Vivamos o novo que nos chega, o Cristo que vem e que nos lembra: “Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21, 4). Vivamos a páscoa em nossas vidas, em nossas famílias, germinando vida nova em nós.
obs.: Artigo publicado no jornal "Voz de Nazaré" - edição de 05 de abril
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